11.9.10

telefone de lata

Glorinha, eu entendo, que quando a solidão é muito grande, o mundo escapa do seu eixo e se inclina de tal forma que você perde o equilíbrio, enquanto móveis, memórias e quadros escorregam com toda força, espatifando-se contra a outra parede. Eu entendo também, Glorinha, que nessas horas é difícil agarrar-se a qualquer borda e pedir que, por favor, a gravidade dessa situação não te leve embora. É nessas horas, onde os dedos por um fio seguram-se à última esperança que ainda insiste em manter-se firme no chão, que eu te procuro. E te faço algumas perguntas sobre gente grande que de repente some e não me leva junto. E te digo que o telefone toca milhões de vezes, mas ninguém do outro lado quer atender. Então eu me alivo tanto e tanto, que não importa em que situação o mundo esteja, não me importa se todas as linhas telefônicas do mundo estão ocupadas; o nosso telefone de lata sempre vai me permitir que eu escute um convite carinhoso: vamos ver os girassóis que acabaram de florir!

4 comentários:

Douglas Thaynã disse...

Puerilmente belo. Belíssimo! Rute, teus textos são excelentes! :)

Gaby Soncini disse...

E que sorriso eu abri aqui.

Que lindo Rute!

Grande Beijo.

Ariela disse...

Coisa mais linda! Lembrou-me de ações da minha infância com sentimentos do meu presente. Adoro quando a sensação de nostalgia mistura com a realidade atual.

Belíssimo texto!

Rodolpho Padovani disse...

E ás vezes a gente só precisa disso né? Um convite simples que nos tire da solidão cotidiana.

Bjs =)