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12.3.11
Vou te contar, Glorinha,
a vida é tão engraçada! Há dias, semanas, meses tão cheios de acontecimentos! E depois chegam épocas de calmaria, de esquecimento... Períodos em que as criaturas e as coisas parecem não ter o mesmo sentido. E eu não sei se nesses tempos, quando o vazio é muito grande, se eu sinto saudade das coisas que já foram, ou se o que me falta é o que ainda virá.
18.1.11
Fagulha
Ah, Glorinha, mas você sabe: muita gente se acomoda quando alguém diz que se essa é a lógica das coisas, é impossível mudá-la. Mas "impossível" é um palavrão que pessoas pequenas usam pra te insultar quando você quer muito tocar uma estrela. Ou ter um amor. E, olha, por menor que seja a fagulha de esperança, ainda há. E se há...
Mas eu não acredito nessas pessoas. E os medos que a gente pensa que tem, são apenas monstros imaginários que tentam espantar os bons sonhos. Os meus medos, antes assoladores, agora assumem o leme e além! Além! Por isso que, pra mim, não tem isso de impossível ou complicado demais. E eu ainda prefiro os relacionamentos sem intenções, sem julgamentos e sem desconforto. Porque eu acho que um grande amor só pode nascer, e crescer, e nunca morrer, se surgir de um bom amigo.
Mas eu não acredito nessas pessoas. E os medos que a gente pensa que tem, são apenas monstros imaginários que tentam espantar os bons sonhos. Os meus medos, antes assoladores, agora assumem o leme e além! Além! Por isso que, pra mim, não tem isso de impossível ou complicado demais. E eu ainda prefiro os relacionamentos sem intenções, sem julgamentos e sem desconforto. Porque eu acho que um grande amor só pode nascer, e crescer, e nunca morrer, se surgir de um bom amigo.
2.1.11
Não é, Glorinha?!
Mesmo assim ela gira, e gira; por isso que há os dias de sorte e de azar.
11.12.10
Primaveril
(...) tudo isso doeu muito, Glorinha.
Mas agora, olhando pela janela, vejo mirados para o céu os girassóis que plantei no início da primavera. Desde que minhas mãos ficaram sem as outras com as quais se ocupar, resolvi dar-me às sementes, que me aceitam mesmo sabendo que estou com elas para não ser só. Há isso de gratificante em dar-se aos girassóis: eles primeiro crescem no nosso coração para só depois brotarem na terra. Assim como quando a gente começa a ter amor por alguém; o amor pega e cresce porque, de certa forma, a gente quer que isso aconteça, e vai querendo e ajudando.
Por que eu me ocupei da semente, tenho colhido assim, em frutos intangíveis, a paz do canto de um passarinho. E que culpa tenho agora das flores que nascem sozinhas, nos canteiros, nos cantos, até no canto que a moça, distraída, canta espantando os seus monstros?
Mas agora, olhando pela janela, vejo mirados para o céu os girassóis que plantei no início da primavera. Desde que minhas mãos ficaram sem as outras com as quais se ocupar, resolvi dar-me às sementes, que me aceitam mesmo sabendo que estou com elas para não ser só. Há isso de gratificante em dar-se aos girassóis: eles primeiro crescem no nosso coração para só depois brotarem na terra. Assim como quando a gente começa a ter amor por alguém; o amor pega e cresce porque, de certa forma, a gente quer que isso aconteça, e vai querendo e ajudando.
Por que eu me ocupei da semente, tenho colhido assim, em frutos intangíveis, a paz do canto de um passarinho. E que culpa tenho agora das flores que nascem sozinhas, nos canteiros, nos cantos, até no canto que a moça, distraída, canta espantando os seus monstros?
11.9.10
telefone de lata
Glorinha, eu entendo, que quando a solidão é muito grande, o mundo escapa do seu eixo e se inclina de tal forma que você perde o equilíbrio, enquanto móveis, memórias e quadros escorregam com toda força, espatifando-se contra a outra parede. Eu entendo também, Glorinha, que nessas horas é difícil agarrar-se a qualquer borda e pedir que, por favor, a gravidade dessa situação não te leve embora. É nessas horas, onde os dedos por um fio seguram-se à última esperança que ainda insiste em manter-se firme no chão, que eu te procuro. E te faço algumas perguntas sobre gente grande que de repente some e não me leva junto. E te digo que o telefone toca milhões de vezes, mas ninguém do outro lado quer atender. Então eu me alivo tanto e tanto, que não importa em que situação o mundo esteja, não me importa se todas as linhas telefônicas do mundo estão ocupadas; o nosso telefone de lata sempre vai me permitir que eu escute um convite carinhoso: vamos ver os girassóis que acabaram de florir!
11.8.10
Hoje
Hoje não falarei sobre a correria nem sobre a calmaria. Não falarei nem do branco nem do preto. Nem do claro nem do escuro. Nem sobre a paz nem sobre a guerra. Não gritarei aos céus que chova ou que faça sol. Não pedirei aos homens que sejam bons ou maus. Não quero o dia nem quente nem frio. Não plantarei e não colherei.
Hoje não calarei a voz, mas também não falarei. Não amarei e nem terei rancor. Não esquecerei nem lembrarei. Não dormirei nem acordarei. Não desprezarei nem apreciarei as flores. Não vou rir e nem vou chorar. Não rasgarei e nem costurarei. Não matarei e nem sararei o que está ferido. Não abraçarei e nem me afastarei. Não irei me isolar, mas também não me entregarei.
Hoje, somente hoje, por não fazer tais coisas, tragicamente, não viverei.
Nem morrerei.
Hoje não calarei a voz, mas também não falarei. Não amarei e nem terei rancor. Não esquecerei nem lembrarei. Não dormirei nem acordarei. Não desprezarei nem apreciarei as flores. Não vou rir e nem vou chorar. Não rasgarei e nem costurarei. Não matarei e nem sararei o que está ferido. Não abraçarei e nem me afastarei. Não irei me isolar, mas também não me entregarei.
Hoje, somente hoje, por não fazer tais coisas, tragicamente, não viverei.
Nem morrerei.
21.7.10
Glorinha, me diz,
quando a gente não aguenta mais, o que acontece? A gente explode? Ou simplesmente flutua de tão cheio que está? Sim, porque tudo no mundo é limitado. Não vê que nosso corpo tem pele é pra isso mesmo? Pra conter o sangue que corre nas veias, pra dizer pro coração que ele só pode chegar até ali, e ai da gente se ele quiser sair do lugar!
Eu não queria entender, Glorinha, a lógica dos pássaros que, quando saem da gaiola, não voltam nunca. Eu só não queria entender porque eu tinha medo. Tinha medo do passarinho voltar a qualquer hora e dizer que saiu porque simplesmente uma gaiola não é o maior limite pra se viver. Se há um céu tão grande, onde cabe Sol, Lua, estrelas e um arco-íris com tantas cores, porque é que a gente insiste em ficar nesse chão cinza e frio, onde, se não fosse a terra e as sementes, seria tudo tão triste, tão cinza, tão morto...?
O meu passarinho, apesar de longe, e talvez exatamente por isso, me ensinou: quando a dor é muito grande, ela extrapola o intagível e atinge músculos e tendões para só depois evaporar pelos poros. Depois que isso acontecer, e você só estiver bem cheio de vazio, encha o peito com mais de 3 mil suspiros, quando estiver bem levinho, solte as amarra e flutue.
Eu não queria entender, Glorinha, a lógica dos pássaros que, quando saem da gaiola, não voltam nunca. Eu só não queria entender porque eu tinha medo. Tinha medo do passarinho voltar a qualquer hora e dizer que saiu porque simplesmente uma gaiola não é o maior limite pra se viver. Se há um céu tão grande, onde cabe Sol, Lua, estrelas e um arco-íris com tantas cores, porque é que a gente insiste em ficar nesse chão cinza e frio, onde, se não fosse a terra e as sementes, seria tudo tão triste, tão cinza, tão morto...?
O meu passarinho, apesar de longe, e talvez exatamente por isso, me ensinou: quando a dor é muito grande, ela extrapola o intagível e atinge músculos e tendões para só depois evaporar pelos poros. Depois que isso acontecer, e você só estiver bem cheio de vazio, encha o peito com mais de 3 mil suspiros, quando estiver bem levinho, solte as amarra e flutue.
13.7.10
da bailarina

Você é só uma criança crescida, querida. Uma bailarina que dança no palco da vida. Enquando as palavras mágicas estiverem presentes no começo de cada nova dança, você ainda vai poder rodopiar, e rodopiar, e rodopiar até que se trasnforme em uma linda bailarina de caixinha de música.
3.7.10
da solidão
Não precisa ficar com medo. Quando o tempo se preparar para chover e o céu ameaçar explodir, eu vou brincar na chuva com você. E vou te abraçar tão forte, que esse sentimento de solidão irá se trasnformar em sete mil borboletas rodopiando na sua cabeça. Então você vai entender que quando alguém vai embora sem dar explicação é porque a história que ele iria te contar não tem fadas, nem bichos que falam, nem um pote de ouro no fim do arco-íris. E essa pessoa sabe que histórias que não tem mágica não te interessam. Te deixar sem ao menos dar um adeus talvez tenha sido a maneira mais bonita que o outro encontrou de te dizer que, de alguma forma, te ama.
29.5.10
Sabe Glorinha,
Só hoje eu vim entender como a gente se machuca com espinhos mesmo sem conseguir entender a delicadeza e a ferocidade que uma rosa pode conter em si. Só hoje eu percebi que a gente quando machuca o outro, machuca antes de tudo o que temos de melhor em nós. Por que somos feitos de bem e mal. E o mal aparece quando, por descuido, deixo a porta aberta e entram folhas de notícias velhas, folhas de outono, folhas de outras estações, que já não existem mais - e quem sabe nunca existiram. O mal surge quando eu, cansada de ter que olhar pro mundo e pra sua maldade, tento achar algo belo dentro de mim. E o que eu encontro é só uma ponte que une a mim e as princesas dos contos de fadas, mas que tem uma falha. Bem no meio da ponte há um buraco, Glorinha. E eu não acredito em fadas.
Então é aí que qualquer voz, conhecida, sussurrante, distante, me acorda, me abraça e me revela que os jacarés que pulavam pra tentar me engolir são as lagartixas que moram no teto do quarto escuro, e a ponte com falhas é só a mão que eu encolhi quando naquele dia alguém sorriu pra mim. Por que, Glorinha, eu sei que o mal a gente vê em todo canto, mas o bem só pode existir nisto: a mão dele segurando a minha e a impedindo que fique presa aos medos. E o arrepio que isso me dá é tão leve, que os dedos dele conseguem fazer brotar em cada um dos meus poros uma flor.
Então é aí que qualquer voz, conhecida, sussurrante, distante, me acorda, me abraça e me revela que os jacarés que pulavam pra tentar me engolir são as lagartixas que moram no teto do quarto escuro, e a ponte com falhas é só a mão que eu encolhi quando naquele dia alguém sorriu pra mim. Por que, Glorinha, eu sei que o mal a gente vê em todo canto, mas o bem só pode existir nisto: a mão dele segurando a minha e a impedindo que fique presa aos medos. E o arrepio que isso me dá é tão leve, que os dedos dele conseguem fazer brotar em cada um dos meus poros uma flor.
6.4.10
Conversando com meu amigo Pedro II
E o que você me diz, Pedro? Você que gosta de falar muito, que sabe falar muito, que gosta de interromper muito também, né?
Olha, mas se eu falar e ninguém quiser ouvir? Igual quando a mãe da Glorinha, coitada, tão menor que a filha, chama ela pra entrar e ela nem aí: continua na rua brincando. Aí chega o pai dela, aquele homem grande, que bota medo em qualquer cachorro de rua e grita: Ei, menina, entra! A Glorinha nem calça o chinelo e vem correndo. Só que eu não sou grandre, Pedro. E eu acho tão feio gritar. Porque o que eu gosto de falar é pouquinho, e fica mais bonito baixinho. baixinho...
Olha, mas se eu falar e ninguém quiser ouvir? Igual quando a mãe da Glorinha, coitada, tão menor que a filha, chama ela pra entrar e ela nem aí: continua na rua brincando. Aí chega o pai dela, aquele homem grande, que bota medo em qualquer cachorro de rua e grita: Ei, menina, entra! A Glorinha nem calça o chinelo e vem correndo. Só que eu não sou grandre, Pedro. E eu acho tão feio gritar. Porque o que eu gosto de falar é pouquinho, e fica mais bonito baixinho. baixinho...
5.4.10
Conversando com meu amigo Pedro I
Mas eu não sei não viu, Pedro? Quem já viu, Pedro? Come toda a comida, come tu-do! Você é magrinho demais, engole, vai. Olhe, engole. Eu como direitinho, Pedro. Agora mesmo acabei de engolir tudo o que eu queria falar. Assim, acabei agora não, sabe? Faz um tempo. Ora bolas! Ora bolas! O tempo não interessa! Come enquanto eu conto. O tempo não importa, só sei que foi o necessário, o tantinho exato, pra recuperar o ar que me faltou enquanto as palavras desciam desordenadamente goela abaixo.
Per... ô Pedro, pera. Come devagar né? Mastiga essa comida senão você fica com dor de barriga.
Eu acho que a gente não devia deixar de falar algo, sabe? A gente não devia engolir as palavras que deveriam estar no ar uma hora dessas. Por que tem vez que quando a gente engole não faz nada bem. E eu nunca ouvi falar de remédio pra má-ingestão-de-palavras-não-saídas.
Per... ô Pedro, pera. Come devagar né? Mastiga essa comida senão você fica com dor de barriga.
Eu acho que a gente não devia deixar de falar algo, sabe? A gente não devia engolir as palavras que deveriam estar no ar uma hora dessas. Por que tem vez que quando a gente engole não faz nada bem. E eu nunca ouvi falar de remédio pra má-ingestão-de-palavras-não-saídas.
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