13.9.11

o caminho do vento

Querido Orlando,

no fim da tarde eu abri a janela e senti o vento varrendo a primavera pra dentro de mim. Enchi o peito e expirei mil cores. O vento veio não sei de onde, mas não neguei-lhe que inundasse minha garganta, fizesse tempestade em minha barriga e se abrandasse ali em forma de borboletas coloridas. Quem sabe o caminho do vento? Se já não arrastou portas, telhados e janelas, já não levou fotografias a bueiros, já não virou páginas de livros ou carregou consigo uma folha por cinco segundos. Cinco segundos. Nos segundos eternos em que uma folha achava que poderia voar. Foi aí que eu entendi, Orlando, que nenhum amor nasce preso entre quatro paredes. Que nenhum amor floresce sem que percorra, nem por um instante, o caminho dos ventos. Um amor só é capaz de sobreviver no coração que é acostumado ao carinhos do universo.

5 comentários:

Jaci Macedo disse...

Lindo, lindo. Tudo o que dissestes é pura verdade. Amor tem que ser livre, assim como um passarinho. Se ficar muito tempo preso ele morre de tristeza.
beijo, coração.

Brunno Lopez disse...

'Acostumar-se aos carinhos do universo'. Essa expressão é sinônimo de eternidade emocional.

Uma carta sublime e forte.

Poeta da Colina disse...

E talvez enm assim, já que o amor também é um tentar.

Gaby Soncini disse...

Ai Rute, você me encanta sempre.

Vou ficar com esse texto para passar o dia *.*

Beijoss!

Alê Braconni disse...

muitooo bom estou te seguindo passe pelo meu blog também e de uma olhadinha em meus posts :D obrigado !